Estou a chegar de uma viagem que fiz
Ao infinito das ligações tecidas nos astros.
Vagueei numa tela de pano cru
E deixei-me perder
Num emaranhado de fios de sonhos e emoções.
Nesta viagem aprendi outra vez
Que muito há ainda para aprender
E isso é a vida na sua essência,
Uma constante sala de aulas.
Aprendi que podemos incendiar as ruínas
Ou construir por cima delas
E eu optei por construir.
Percebi que desistir nem sempre é um sinal de fraqueza
Muitas vezes é um acto de consciência plena
Que nos permite ver para além dos nossos horizontes,
Porque às vezes enganamo-nos no caminho
E confundimos persistência com teimosia,
Porque tudo passa por se aprender
Tanto a perder com classe como a vencer com ousadia.
Cheguei agora mesmo desta viagem
Mas estou já de partida para outra
Qual o destino ?
Havemos de nos encontrar por aí !
Adaptado de Ligações tecidas nos astros 25/03/08
Richard Bach
Charlie Chaplin
22/10/2009
CAIS DE PARTIDA
13/10/2009
Apenas um desenho...
Talvez não tenhas percebido
Mas naquele dia perdi o Norte.
Baralhei todos os pontos cardeais
e senti neve em pleno Verão.
Desesperei em busca do meu farol
daquele que há muito eu seguia, entenda-se
E não de uma luz que iluminasse
Um pedaço de caminho escuro
Andei quilómetros por terrenos sinuosos
e no fim da caminhada doeram-me as mãos.
Duvidei das certezas
e fiquei com a certeza de todas as dúvidas.
Juro ter visto a lua em forma de estrela
e convenci-me que era Marte que tinha os anéis.
A brancura do branco ficou cinza
E todas as cores do arco-iris escorreram em forma de lágrima
Deixando um arco vazio de cor.
Lembro-me também
que o vento roubou a melodia dos pássaros
E todas as músicas desapareceram da Terra.
Estas são as palavras que encontrei,
Aquelas que escolhi
Para misturar em tons de poesia
E desenhar o que senti.
Talvez nunca tenhas percebido bem
Como foi perder o Norte
E sabes porquê ?
Porque sempre tentei desenhar-te poemas.
Adaptado de -A Sul sem Norte- de Mar/08
01/10/2009
Aromas do tempo
Dá-me beijos de sol
Com sabor a laranja e aromas cítricos
Quero frescura e candura
Quero o despertar do brilho
Dá-me sinais doutro tempo
Com sabor a rio e a pêssego
Devolve-me os segredos
Quero ouvir a tua voz
Nas manhãs de Limão
Pedir para esperar mais um pouco
É só mais um pouco...
Estamos quase lá...
22/09/2009
Um Amor meu...
Desconfio que tenho um caso de Amor
Porque o que sinto é inconstante
É mágoa, arrepio
Revolta por vezes
Tristeza profunda...
Deve ser isto o Amor
Porque é inebriante
É sedução, arrepio
Prazer tantas vezes
Calor intenso na pele !
Não sei explicar, mas
Tudo isto é o que sinto
Aqui deste lado
Onde a terra escolheu esta cor
Que nos lembra sangue
Mas também Amor !!
15/09/2009
Assim sou
Dez/05
Quando me fiz a este caminho
Não foi por capricho
Nem por glória
Não foi pelo triunfo
Nem por recompensas
Quis apenas que a minha voz soasse
Não no coração
Mas na consciência dos mais distraídos
Quando escolhi esta parte nova de ser
Não foi por birra
Nem para recuperar o que perdi
Não foi para chamar a mim a razão
Nem para ninguém me dizer que sim
Quando vim por aqui
Sabia que o caminho era árduo
Mas eu gosto mais assim
Porque assim sou mais eu !
08/09/2009
03/09/2009
26/08/2009
Entre nós
Andei por aí meio perdida no meio de nós,
Mas não me rendi.
Hoje resolvi erguer a voz perante
Este nós que é tanto mais
Do que apenas...nós.
Este, de mim e de ti,
É feito de um sentir desigual a tantos outros
Que também são teus ou meus,
Mas este nosso tem muito de tudo
Porque há muito se mistura
Neste nosso todo
E eu sei-o por dentro
De ti e de mim.
Outros terão de tudo um pouco
E fazem-se tantos nós pela vida
Todos únicos na sua forma,
Mas este nós de que hoje falo
É criança nos mimos
Tem carinhos ousados
É picante e divertido
Tem aquela magia de pele
Intensa e única, inexplicável na forma,
Sente-se e apura-se porque se gosta.
Este nós de que falo
Também tem lágrimas e desencontros,
Palavras que fazem doer,
Gestos desleais,
Saudades sem fim previsto,
Longas esperas,
Promessas esquecidas.
Este nós, de mim e de ti
Vem de dois corações
Afinados no mesmo tom
É aquele que se renova a cada dia
No meio de outros tantos nós
E será aquilo que nós quisermos !
24/08/2009
Do avesso
Não te iludas
Nada me revelaste
Com as tuas palavras
Carregadas de poesia
Nem quando subiste ao palco
E foste metade de ti
Não foi por aí
Desculpa o atrevimento
Mas vi-te por dentro
E o brilho no olhar...
Foi tudo o que eu quis sentir
Não te iludas
Estou mais além
Longe dos cenários
Criados em nome do Amor
Busco o lado cru, a essência das coisas
É por aqui
Por este lado que cresço
Que me tenho como me gosto
E só assim sinto na pele
Esta magia tanta e única
Que me faz querer sempre mais...
...sentir pelo avesso.
20/08/2009
31/07/2009
Como tu

Não era para ser assim
Eu sei...
Sei tão bem o que sentes
Chão que foge dos pés
Vazio que nos invade
Coração sem saber para onde ir
Não era nada para ser assim
Nada mesmo...
Como entendo esse teu olhar
De brilho magoado
Sorriso triste
Querer que o tempo se ultrapasse
No seu próprio tempo e nos faça esquecer
Aquilo que nem queremos lembrar
Porque...
Não era para ser assim.
Eu sei...
E tu bem sabes que eu sei!
Sentimos o mesmo brilho intenso
Aquela cor-de-amor-profundo
Que fez corar o cinza da vida
E que tinha chegado para ficar...
...para sempre.
Mas...minh’amor,
Não foi bem assim.
Eu sei...
Já vai passar.
E limpa o teu coração
Com esse teu sorriso lindo
Sempre...
Demimparanós
13/07/2009
Sim, eu vou..
Chama-me outra vez
assim como fizeste
é por aí que te quero encontrar
de novo
ávido e sem limites
solto naquela rua escura
e de largura fina
onde os olhos sentiram desejos...
os teus e os meus
juntos
como combinado
um dia
num só olhar.
09/07/2009
Sopro de liberdade
Vou soltar as palavras
E deixá-las sair nuas
Sem véus de poesia
Quero vê-las soltas
Sem máscaras
Palavras de verdade
Reflectidas nos meus olhos
Vou abrir o coração
Deixar sair esta chuva de mágoas
E enchê-lo de cores
Quero senti-lo a brilhar
Deixá-lo sem rédeas
E saborear os eternos momentos
Que a vida me oferece todos os dias.
29/06/2009
Não sei...
...não sei se te adoro mais do que te amo
Se te amo mais do que adoro
Ou se nada disto sinto
Mas o que importa o nome
E as vezes que não te digo
Se me sentes no arrepio
Quando enches as tuas mãos de mim
E ouves o teu eco no meu peito
Não sei se o que sinto é grande ou pequeno
Eterno ou infinito
Ou se há amores maiores
Mas o que importa a dimensão
Que se dá ao que se sente
As palavras que se escolhem e inventam
Quando me lês em cada pequeno gesto
E me sentes em cada beijo meu.
16/06/2009
Sono Mascarado
E de repente lá vou eu...
Olhos abertos na noite fechada
Fico naquele sono-mascarado-de-acordar
Percorro o céu em busca do crepúsculo
E confirmo a madrugada escura
A casa está quieta...
Só eu lhe trago movimento
Com os meus pensamentos
Mais velozes que o correr do coração
E que se trocam no tempo
E que baralham a alma
E que me deixam exausta
Neste sono mascarado…
Olho-te na quietude do quarto
Pressentes-me...
E o tempo pára por ali
O relógio esquece as horas
E de repente lá vou eu...
De olhos fechados ao raiar do dia
Adormecer-me em ti.
12/06/2009
A noite nas tuas mãos
Explica-me o que fazer
Quando as palavras sussuradas
Calam todas as outras que ficaram por dizer
E pintam os corpos em tons de fogo
Explica-me como fazes
E ensina-me a despir esse véu
Que me confunde o olhar
Ou então nada me expliques
Não escolhas mais o que dizer
Antes revela-me um segredo com as tuas mãos
Deixa-te passear em mim
Vou fechar os olhos
Inventa uma história de amor
De amantes perdidos
Num dia-cor-de-noite
E sussurra-me mais esse conto ao ouvido
Prometo dar-lhe um final feliz.
04/06/2009
Amanheci assim
Mussulo-Angola/07
Hoje não sinto tristeza
Não me sinto feita de mágoa
Nem de voz apertada.
Hoje acordei mais desperta
Sintonizei-me no frio da manhã
E tudo ficou mais claro
Num degradé de sentidos
Que despertou o meu sorriso.
Amanheci assim plena de sabedoria.
Olhar límpido
Mãos de querer tocar o infinito
Coração mais crescido
Meu amor, fica tranquilo
Tudo em nós é imenso
E muito mais que momentos soltos
De mais uma história de amor.
29/05/2009
Dia da Criança
Antecipando o Dia da Criança, e em jeito de homenagem à sua espontaneidade publico este gesto que sempre me deu tanto prazer, principalmente quando não encontro a palavra certa em determinadas ocasiões e aproveito para dedicá-lo especialmente…
...a ti que pensas que me convenceste
...a ti que pensas que ajudaste a convencer-me
...a ti que és uma convencida só porque puseste silicone
...a ti que és um parvo e pensas que sabes tudo
...a ti que querias dar-me a volta mas topei-te logo
...a ti que me respondeste mal à toa
...a ti que querias ultrapassar-me pela direita
...a ti que querias passar-me à frente na fila do supermercado
...e a ti que pensavas que me assustavas com os teus “galões”
Adultos, façam qualquer traquinice, subam para cima da mesa, deitem-se no chão ou pulem em cima da cama e se fizerem uma careta não esperem que a pessoa se vire de costas, vai perder a graça.
Crianças, falem alto no centro comercial, corram entre as cadeiras do restaurante e deitem a língua de fora a todas as pessoas chatas e parvas, que nada vos detenha no vosso dia, mas só no dia 1 DE JUNHO !!
18/05/2009
Flor sem pétalas
Que descuido...
a porta ficou aberta
E alguém entrou aqui neste lugar
Ouviu as minhas músicas
Vasculhou os meus livros
Deitou-se na minha cama
Deixou tudo fora do sítio
Porém, nada levou.
Olhei ao meu redor
E vi a flor que me puseste no cabelo
Num dia de Abril junto ao rio, lembras-te ?
Guardei-a no livro que me ofereceste
“Não há longe nem distância”
E agora estava ali caída no chão, sem pétalas
Sem forma de flor, sem ser como era...
Foi pouco o que eu perdi,
Mas era o que eu mais amava.
20/04/2009
Deixa-me perder
Guia-me num sopro
De volta à casa da partida
E deixa-me ficar por lá
Sem lançar os dados
Não quero mais este jogo
Com regras de palavras mudas...
E sinais sem fumo...
Quero apenas
Aprender tudo outra vez
Sem nada esperar dos sinais
Ficar fora de jogo
E mesmo assim ganhar,
Sem medalhas nem louvores
Para me deixar perder em todas as vitórias !





