"A porta da verdade estava aberta
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só conseguia o perfil de meia verdade.
E a sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade resplandecia os seus fogos.
Era dividida em duas metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era perfeitamente bela.
E era preciso optar. Cada um optou
conforme o seu capricho, a sua ilusão ou a sua miopia."
Mentiria se dissesse ser a autora deste texto ou poema. A verdade é que não sei quem o escreveu.
Mas sendo hoje o dia em que mentir é permitido, permitam-me dizer que fui eu quem o escreveu !